Número total de visualizações de páginas

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Desculpa lá qualquer coisinha...


Entre o tédio do nada para fazer e a preguiça de me esforçar para fazer alguma coisa dei comigo a reflectir sobre uma palavra muito interessante, muito útil e que nos facilita o dia-a-dia. A palavra desculpa.
Esta palavrinha de 8 letrinhas apenas, dá-nos o direito de fazer trinta por uma linha e dizer tudo o que nos vier à cabeça, desde que no fim seja graciosamente utilizada, salvaguardando qualquer peso de consciência que possa ter remanescido.
É certo que as desculpas não se pedem, evitam-se mas também é certo que por vezes surgem factores que irremediavelmente são/foram incontornáveis e a única solução é mesmo pedir desculpas pois fez-se alguma coisa que na realidade não se conseguiu mesmo evitar fazer.
Porém, vivemos num mundo onde cada indivíduo se preocupa tanto com o seu nível de conforto que é quase impensável colocar o outro – ou mesmo o colectivo – na equação pela qual medem os actos. E depois quase que de forma impulsiva e pouco consciente fazem coisas pelas quais têm que pedir desculpa mais tarde, pois pesa a equação da consciência que urge ser apaziguada por um: “desculpa lá qualquer coisinha” – e a consciência limpa, ou não.
Na realidade somos cúmplices de uma sociedade que compactua com uma espécie de submissão colectiva que nos transmite que não faz mal massacrar os outros, a nós próprios nem o mundo em geral, desde que no fim se peça “desculpa”.
No final e depois do veredicto tudo se apazigua, se recalca e volta-se novamente ao transe, à submissão do colectivo e ao conforto que o “desculpa lá qualquer coisinha” permitiu.

P.: Desculpas por delicadeza?
R.: Q.B.
P.: Desculpas por ofensa?
R.: Perfeitamente evitáveis.

Sai um café pingado
aMartinCafé

1 comentário: