Entre o tédio do nada para fazer e
a preguiça de me esforçar para fazer alguma coisa dei comigo a reflectir sobre
uma palavra muito interessante, muito útil e que nos facilita o dia-a-dia. A
palavra desculpa.
Esta palavrinha de 8 letrinhas
apenas, dá-nos o direito de fazer trinta por uma linha e dizer tudo o que nos vier à cabeça, desde que no fim seja graciosamente utilizada, salvaguardando qualquer peso de consciência que possa ter remanescido.
É certo que as desculpas não se pedem, evitam-se
mas também é certo que por vezes surgem factores que irremediavelmente
são/foram incontornáveis e a única solução é mesmo pedir desculpas pois fez-se
alguma coisa que na realidade não se conseguiu mesmo evitar fazer.
Porém, vivemos num mundo onde cada
indivíduo se preocupa tanto com o seu nível de conforto que é quase impensável
colocar o outro – ou mesmo o colectivo – na equação pela qual medem os actos. E
depois quase que de forma impulsiva e pouco consciente fazem coisas pelas quais
têm que pedir desculpa mais tarde, pois pesa a equação da consciência que urge
ser apaziguada por um: “desculpa lá qualquer coisinha” – e a consciência limpa,
ou não.
Na realidade somos cúmplices de uma
sociedade que compactua com uma espécie de submissão colectiva que nos
transmite que não faz mal massacrar os outros, a nós próprios nem o mundo em
geral, desde que no fim se peça “desculpa”.
No final e depois do veredicto tudo
se apazigua, se recalca e volta-se novamente ao transe, à submissão do
colectivo e ao conforto que o “desculpa lá qualquer coisinha” permitiu.
P.:
Desculpas por delicadeza?
R.:
Q.B.
P.:
Desculpas por ofensa?
R.:
Perfeitamente evitáveis.
Sai um
café pingado
aMartinCafé
"Desculpa" uma palavra tanta vez proferida e tão pouco sentida.
ResponderEliminarBJ