Odeio-te!
Entras-te no meu
dia a dia de mansinho, com o teu carisma, humor e sorriso, foste conhecendo as
minhas franquezas, as minhas fragilidades e as minhas frustrações para ganhares
pontos a teu favor. Avaliaste-me de uma forma tão pragmática que antes que eu
desse por isso já sabias quais eram os meus filmes preferidos, os meus
restaurantes habituais, os meus hobbies diários, mostrando-me como eu era
importante e especial.
Soubeste analisar
e identificar a minha carência de amor, o meu sorriso plástico que disfarçava
uma falsa felicidade, a minha carência de atenção, que tentava esconder
mostrando-me atarefada, a minha falta de esperança que encobria à medida que ia
falando dos projectos que tinha para o futuro.
Mostras-te
culto, viajado, educado, sociável, engraçado, partilhavas tudo comigo fazendo
com que me sentisse parte da tua vida… Foste-me conquistando e seduzindo.
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Fechar o
coração ao mundo é um exercício muito difícil para quem o tem. Eu tinha fechado
o meu e já estava resiliente com essa opção. Confessei-te. Não estava
disponível para amar, estava emocionalmente indisponível. Tu brincas-te com a
situação, não compreendendo que eu estava a falar a sério (e ainda bem). Esta
minha opção demonstrou-se mais frágil, vulnerável e inconsistente do que eu a
considerara. Tu avanças-te e eu não consegui dizer que não. Agora! Agora tenho
medo. Crias-te em mim necessidades que eu não tinha… A necessidade de consumir
um bocadinho de ti todos os dias, seja de que forma for. Crias-te em mim a
vontade eximia de te ver todos os dias, de te ouvir mais que muitas vezes ao
dia e de sentir o teu abraço sempre que possível.
Tenho medo…Muito
medo. Tenho medo que tenhas despertado isto em mim, isto que eu enterrara por
medo de me voltar a magoar. Tenho medo que vás embora ou que mudes por algum
motivo.
Tenho medo não
porque te odeio mas porque te amo. Ainda não te disse por medo, mas pode ser
que um dia me dês coragem para dize-lo.
Sai um
irish coffee para mim
aMartinCafé